“São Paulo…”

“… Uma trajetória de mudança.”
Hoje de tarde, durante este domingo abominavelmente chato, tive um pensamento nostálgico que me remeteu á lembrar grande parte de minha vida.
Bom, tenho muito á dizer sobre a cidade de SP, e não existe forma mais pura e sincera de falar sobre São Paulo e a influência da cidade sobre a moda, do que falar sobre o efeito que ela (cidade) causou / teve em mim mesmo.
Sempre morei em São Paulo, mas a primeira vez que conheci a Av. Paulista eu era apenas um bebê recém nascido – para ser mais específico, nasci em um hospital na Av. Paulista -, da minha infância até a metade de minha adolescência cresci afastado do centro, aliás, nunca tive a necessidade de comparecer lá.
Em um belo dia – prometo que serei breve nesta parte da minha vida – em meados dos anos 10 do século em que estamos, resolvi espontaneamente estudar moda e com a vontade de estudar moda e a inquietude da puberdade, surgiu minha louca vontade de visitar o centro, só que desta vez com olhos para se ver de fato o que há para ser visto. Pensei comigo mesmo para onde iria – nesta época eu estava viciado em Starbucks, então qualquer lugar para mim em que eu pudesse beber um café do Starbucks, estava de bom grado – e como resposta, nada mais justo do que ir ao lugar onde nasci, Av. Paulista.
Prédios, uma vista fantástica, pessoas estilosas e dignas de quem são! Aquele mundo me cativou de tal forma que não demorou para aquele lugar virar minha obsessão adolescente. Mas – REPITO! – o que mais me intrigou de fato, foram as pessoas; existia algo extremamente diferente nelas. Algo que não se vê em todos os lugares, algo que ainda não concluí se é apenas do lugar ou delas mesmo, sabe?! Elas eram não apenas estilosas, mas o jeito de andar, o jeito com que fumavam os seus cigarros e falavam, era um pacote completo! Cada detalhe me fez amar aquelas pessoas mais e mais.
Além dos meus olhos brilhantes e meu coração extremamente acelerado, me superei como adolescente e comecei a frequentar cada vez mais o centro de São Paulo, se não a cidade toda; até mesmo meus cursos de moda eram no centro – propositalmente. Batia carteirinha na Rua Augusta, República e de vez em quando me iluminava sob o brilho libertador das grifes da Rua Oscar Freire. São Paulo teve um efeito estrondoso em mim e não demorou muito para que eu começasse a reparar esta mudança em mim mesmo – passei de um nada, para meio-termo á ser uma pessoa completa! Já não frequentava qualquer lugar, havia aprendido á ser uma pessoas urbana e descontraída e rir até das coisas que não eram engraçadas. As pessoas começaram á notar minha existência nos lugares em que eu ia, o jeito como eu me vestida deu uma mudada radical! Tudo mudou. Por um tempo eu fiquei feliz, mas o sentido da história não é este e sim esta grande ironia seguinte…
alguns anos depois, o que nos trás para nossa atualidade, ao desembarcar do metro consolação, pegado á Rua Augusta sentido Centro, me senti completamente outro, mas não outro igual antes – transformado e diferente -, me senti estranhamente cinza. As pessoas que me observavam eram diferentes – em sua maioria, eram jovens ou pessoas que não frequentavam muito a área – comecei a perceber que eu não era mais eu! Olhando os prédios, o asfalto velho e as paredes sujas, pensei no inevitável, eu era uma parte, um complemente da cidade de São Paulo. Eu era nada mais do que os carros, o agito, a multidão, os shoppings e comércios. Mas na realidade quem era eu? Entrei em conflito com quem eu costumava ser antes e depois de conhecer a verdadeira São Paulo.
Depois de passar algum tempo sem ir ao centro da cidade, eu estava afastado demais do agito e das pessoas e da moda em geral. Me perguntavam se eu tinha ido naquele bar legal no fim de semana, na Consolação, e logo eu negava, pois estava frequentando apenas os bares locais de onde moro. No passar de umas semanas, percebi uma dor imensa no meu coração. Eu sabia que não pertencia aonde estava, eu era da cidade, mesmo não pertencendo á uma apenas, mas São Paulo era tão minha quanto eu dela.
Por fim, ao olhar de forma rala para cidade, me senti vazio e perdido, mas ai que está a questão! A beleza da vida está na forma com que você a enxerga. Uma blusa é só uma blusa, mas uma ideia pode fazer aquele blusa ser muito mais do que uma blusa. Ao voltar para cidade, me esforcei para olhar as coisas com um olhar mais intrigado e excitante e como resultado eu não me sentia mais como uma quebra-cabeça incompleto. Eu sabia que eu era muito mais do que isso,
Por Cauê Francisco.
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Espero que tenham entendido todos os aspectos sociais e as relações com a moda. Esta é minha historia de como São Paulo me mudou. E a sua? Conte-nos deixando um comentário.







